novembro de 2025

Indicadores do SPC evidenciam a continuidade de um comportamento financeiro cauteloso por parte das famílias e uma mudança em seus hábitos de compra.

 

O indicador do Sistema de Proteção ao Crédito da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL) trabalha com dois índices: a) consumidores entrantes, ou seja, aqueles que deixaram de pagar alguma conta e tiveram o nome incluído no cadastro de inadimplentes; e b) consumidores saíntes, que são os que estavam com restrição ao crédito, mas negociaram suas dívidas e voltaram a ter o nome limpo.

O mês de novembro de 2025 manteve a trajetória observada em outubro e registrou nova queda nas inclusões de consumidores inadimplentes em relação a novembro de 2024, com redução de 36,3%. Esse comportamento indica que as famílias seguem mais prudentes na tomada de crédito, em um contexto ainda marcado por juros elevados, maior rigor na concessão de financiamentos e menor uso do parcelamento nas compras, sobretudo no varejo de bens duráveis. No acumulado de janeiro a novembro de 2025, as inclusões recuaram 26,9% frente ao mesmo período de 2024.

Quanto às baixas de inadimplentes — isto é, consumidores que quitaram ou renegociaram suas dívidas —, verificou-se em novembro comportamento semelhante ao de outubro, com redução de 48,6% no número de negativados que deixaram essa condição, em comparação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a novembro, as exclusões também recuaram 21,4% em relação a 2024, indicando ritmo menor de recuperação de crédito.

Outro dado relevante diz respeito às consultas ao sistema de proteção ao crédito realizadas pelos lojistas, já que, em geral, quanto mais consultas, maior tende a ser a intenção de vendas a prazo. Esse indicador apresentou recuo de 12,3% em novembro de 2025, na comparação com novembro de 2024. Contudo, no mesmo período, os lojistas registraram aumento nas vendas, o que sugere que uma parcela maior das transações vem sendo realizada por meio de canais on-line.

Em conjunto, os resultados de novembro apontam para um rearranjo das finanças das famílias: diminui o número de consumidores que passam a ficar inadimplentes, mas também encolhe o contingente de pessoas que consegue regularizar suas pendências. Esse quadro sugere um momento de acomodação, em que os lares tentam ganhar fôlego e organizar as contas em meio a uma renda ainda comprimida e a um acesso ao crédito mais criterioso por parte do mercado.