Fevereiro de 2026

Os indicadores do SPC repetem o padrão de janeiro: há redução no ritmo de novas negativações, mas persiste a dificuldade do consumidor em regularizar a situação após a inadimplência.

O indicador do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC), acompanhado pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), é composto por dois movimentos principais: (i) consumidores entrantes, isto é, aqueles que tiveram registro de inadimplência (inclusão no cadastro) em decorrência de atraso ou não pagamento; e (ii) consumidores saíntes, que são aqueles que tiveram a restrição baixada após quitação e/ou renegociação da dívida, retornando à condição de “nome limpo”.

Em fevereiro de 2026, manteve-se a trajetória observada em janeiro (queda de 34% nas novas negativações, na comparação interanual), com redução das inclusões em relação a fevereiro de 2025: a taxa de novas negativações recuou 38,1%. Esse resultado é compatível com um ambiente de maior seletividade do crédito e custo financeiro elevado, além de sinalizar possível avanço de consciência e autocontrole financeiro por parte das famílias.

Por outro lado, as baixas de inadimplência também repetiram o padrão de janeiro (queda de 35% nas regularizações, na comparação interanual), com redução acentuada no contingente de consumidores que conseguiram regularizar sua situação: foram 48% menos saídas do cadastro em relação a fevereiro de 2025. Esse resultado sugere maior persistência da inadimplência, indicando que, uma vez inadimplente, o consumidor encontra mais dificuldade para recompor o orçamento e concluir acordos de regularização.

No mesmo sentido, as consultas ao SPC realizadas pelo comércio — indicador associado à atividade de crédito no varejo e à intenção de compra financiada — apresentaram recuo de 4,5% em fevereiro, na comparação interanual. Esse movimento sugere menor demanda por compras a prazo, seja por política mais conservadora de concessão, seja por maior aversão do consumidor ao crédito.

Em conjunto, os resultados de fevereiro apontam para um ajuste defensivo nas finanças das famílias e no comportamento do varejo: diminui o fluxo de novas negativações, mas também se reduz a capacidade de regularização das pendências já existentes. Para as famílias, isso significa um cenário em que a recomposição financeira ocorre de forma mais lenta, com provável priorização de despesas essenciais e menor espaço para amortizar dívidas antigas. Para o varejo, o cenário indica a necessidade de priorizar vendas à vista com incentivo de preço (descontos), dado o encolhimento da base elegível ao crediário e a maior aversão das famílias ao endividamento.