Abril de 2026

Os indicadores do SPC mostram uma inflexão relevante em relação ao padrão observado nos meses anteriores: avançam as novas negativações, ao mesmo tempo em que recuam de forma expressiva as regularizações com as consultas ao crédito praticamente estáveis.

 

O indicador do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC), acompanhado pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), é composto por dois movimentos principais: (i) consumidores entrantes, isto é, aqueles que tiveram registro de inadimplência (inclusão no cadastro) em decorrência de atraso ou não pagamento; e (ii) consumidores saíntes, que são aqueles que tiveram a restrição baixada após quitação e/ou renegociação da dívida, retornando à condição de ‘nome limpo’.

No que se refere aos consumidores entrantes, abril de 2026 apresentou reversão na trajetória observada até então, com aumento de 8,2% nas novas negativações em relação a abril de 2025. Ainda assim, no acumulado do 1º quadrimestre, as inclusões no cadastro de inadimplentes permanecem 27,8% abaixo do observado no mesmo período do ano anterior, indicando que, apesar da piora pontual no mês, o nível de entrada na inadimplência ainda se mantém inferior ao de 2025.

Já no caso das baixas de inadimplência, o comportamento foi mais adverso: o número de consumidores saíntes apresentou queda de 44% na comparação interanual. No acumulado do 1º quadrimestre de 2026, as regularizações permanecem 28% abaixo das registradas no mesmo período de 2025, reforçando a perda de capacidade das famílias em quitar ou renegociar dívidas ao longo do ano.

As consultas ao SPC realizadas pelo comércio — indicador associado à atividade de crédito no varejo e à intenção de compra financiada — registraram leve alta de 0,6% em abril, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado do 1º quadrimestre, o indicador apresenta crescimento de 0,45%, sugerindo estabilidade na demanda por crédito, porém sem dinamismo suficiente para sustentar uma melhora mais consistente no ambiente de consumo.

Os resultados de abril indicam piora no ambiente financeiro das famílias, com aumento das novas negativações, forte queda nas regularizações e estabilidade nas consultas ao crédito. Embora o acumulado do ano ainda permaneça melhor que o de 2025, o mês pode sinalizar uma mudança de tendência, em um contexto nacional de elevado comprometimento da renda, com o endividamento das famílias brasileiras atingindo patamar recorde em 2026.