janeiro de 2022

O recorde no nível de endividamento das famílias alcançado ao final do ano passado já embutia a expectativa de elevação no número de consumidores com capacidade comprometida de quitar seus compromissos financeiros dentro do prazo.

 

O indicador do Sistema de Proteção ao Crédito da Associação Comercial e Industrial de Londrina – ACIL, trabalha com dois indicadores: a) consumidores entrantes (incluídos na restrição ao crédito), que aqueles que deixaram de pagar alguma conta e tiveram o nome incluído no cadastro de consumidores inadimplentes, e b) consumidores saintes (recuperaram acesso a crédito), que são aqueles que estavam com o nome no cadastro de ‘restrição ao crédito’, mas negociaram suas dívidas e ‘limparam’ o nome.

Os dados do mês de janeiro mostram que a quantidade de consumidores que não conseguiram quitar seus débitos e tiveram seu nome inscrito no cadastro de inadimplentes teve elevação de 61% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Com um nível de otimismo maior e nível de consumo represado em função das restrições sanitárias impostas  pela COVID-19, as famílias foram às compras em uma proporção recorde e como resposta a este maior endividamento, vem também números maiores de tomadores de crédito que não conseguem quitar seus compromissos financeiros na data de seu vencimento, levando-os à inadimplência e tendo seu nome negativado junto ao Sistema de Proteção ao Crédito.

Por outro lado, o número de consumidores que, estando na lista de devedores, conseguiram limpar o nome e voltar a constar no cadastro positivo, subiu em 9% no mês de janeiro em relação a janeiro de 2021, em uma indicação que a geração de postos de trabalho está fazendo com que consumidores inadimplentes venham a quitar dívidas que ficaram pendentes de um ano para o outro.

De qualquer forma, o nível elevado de comprometimento da renda familiar acompanhado das despesas maiores próprias dos primeiros meses do ano deve continuar comprometendo a capacidade dos consumidores de conseguir seu equilíbrio financeiro neste primeiro trimestre, o que deve se refletir no aumento da inadimplência neste período.