30 de novembro de 2020


30 de novembro de 2020

30-11-20_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros. Na nossa última coluna falamos um pouco sobre a importância da formalização de seu negócio e como esta decisão pode potencializar o sucesso de seu empreendimento. Na página da rádio UEL você poderá acessar a este pod cast.

Na coluna de hoje falo sobre as criptomoedas, um tema recorrente especialmente porque está sempre associado ao Bitcoin, seguramente a mais famosa moeda virtual do momento.

Criptomoedas são moedas digitais, elas não tem existência física, diferentemente do real, do dólar e de outras moedas que podem ser tocadas, guardadas no bolso, colocadas em um cofrinho. As criptomoedas só existem na internet ou seja, são moedas virtuais.

O termo criptomoeda é uma referência ao fato destas moedas virtuais serem criptografas. Criptografar significa transforma uma mensagem original em uma mensagem codificada. É como se você embaralhasse a informação utilizando uma regra qualquer e só quem conhece esta regra é que é capaz de desembaralhar a informação novamente.

Para fazer esta codificação é utilizada uma tecnologia chamada blockchain. Chain, traduzido para o português é corrente e block são blocos. Portanto blockchain é uma corrente de blocos. De forma simplificada é como se a informação fosse fracionada e colocada em blocos. Cada bloco leva então uma parte da informação e a chave para decifrar a informação que está no bloco seguinte, e assim por diante.

Por isso, uma corrente de blocos ou blockchain, nada mais é que a tecnologia utilizada para criptografar a informação e é essa criptografia que garante a segurança de uma moeda virtual, e registrando as transações feitas com ela.

Então, criptomoeda é uma moeda virtual, que utiliza da tecnologia blockchain para codifica-la ou criptografá-la de maneira a mantê-la segura.       

A primeira criptomoeda, o Bitcoin, foi criado em 2009 por Satoshi Nakamoto, pseudônimo utilizado pela pessoa que criou a moeda virtual. Bit é uma referência ao termo utilizado na computação para designar menor unidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida e coin é moeda em inglês.

Nos últimos anos, houve uma explosão de novas moedas virtuais. Para citar algumas mais famosas:  Namecoin; Ethereum; Ripple; Litecoin; Binance Coin entre outras.

Esta são moedas descentralizadas porque não existe um órgão ou governo responsável por controlar, intermediar e autorizar emissões de moedas, transferências e outras operações. Quem faz isso são os próprios usuários. E é exatamente pelo fato delas serem descentralizadas que reside um grande problema para estas moedas virtuais

Todo o dinheiro reconhecido oficialmente é criado por bancos centrais de um país. Tendo controle sobre todas as transações realizadas, os bancos conseguem centralizar o sistema financeiro. Os Bitcoins, por serem descentralizadas não pertencem a nenhum país e não podem ser controladas, fugindo do sistema financeiro tradicional o que abre espaço para todo tipo de operações ílicitas e lavagem de dinheiro, simplesmente pela impossibilidade de rastreá-lo.

Isso traz também uma série de outras implicações especialmente em termos de capacidade dos Bancos Centrais fazerem políticas fiscais e monetárias. Mas vou me ater a uma única implicação das moedas descentralizadas. Elas mexem na capacidade do governo de realizar a Senhoriagem.

Senhoriagem pode ser definido como o lucro do governo derivado da emissão de moeda. Imagina que a economia está crescendo e produzindo mais. Significa que será necessário mais dinheiro para realizar as transações.

O governo, detendo o monopólio da emissão de moeda, ao imprimir dinheiro está aumentando sua receita sem necessidade de aumentar os impostos e sem causar inflação já que esta emissão acompanha o crescimento da economia.

Isto é ótimo para a sociedade. Mas se o emissor do dinheiro é um agente privado, quem aufere esta receita é este agente, ou seja, um ganho que era social passou a ser um ganho privado.

Evidentemente que as criptomoedas são uma solução tecnológica que, mais cedo ou mais tarde, será adotada pelos governos. O primeiro passo para essa adoção no Brasil foi dada com a introdução do PIX – sistema de pagamento instantâneo. Uma vez que as pessoas se acostumem a fazer seus pagamentos por meio eletrônico, a introdução de uma criptomoeda pelo Banco Central será o próxima passo, garantindo ao governo o controle da moeda, permitindo a ele fazer política monetária, política fiscal e mantendo os ganhos da senhoriagem.

Em uma discussão sobre criptomoedas, pensa nisso.

Te vejo na próxima coluna e até lá, se cuida.