29 de março de 2021


29 de março de 2021

29-03-2021-_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros. Na semana passada nosso comentário foi acerca da decisão do Banco Central em elevar as taxas básicas de juros no sentido de conter a inflação e hoje abordo o acidente do navio Ever Given que bloqueou completamente o Canal de Suez, e como, uma notícia que para a grande maioria  despertaria somente curiosidade, pode reservar impactos negativos para nós, especialmente em relação a alta dos preços.

O Ever Given é um porta-conteiners, tipo de embarcação que carrega aquelas enormes caixas de metal para o transporte de mercadorias. Ele tem de comprimento o equivalente a quatro campos de futebol, e um de largura, pesando 200 mil toneladas e carrega até 20.000 contêineres de 6 metro de comprimento.

E o canal de Suez? O canal de Suez é um canal artificial de navegação, Um canal artificial de navegação é uma passagem construída pelo homem utilizada por embarcações para atravessar uma determinada área continental. Entre os mais famosos estão o Canal de Suez, o Canal do Panamá e o Canal de Quiel.

O Canal de Suez foi inaugurado em 1869, criando a passagem entre o Mar Mediterrâneo (Oceano Atlântico) e Mar Vermelho (Oceano Índico), economizando cerca de 8,9 mil Km e reduzindo em pelo menos 20 dias o tempo de navegação entre os dois pontos, já que evita que navios na rota entre Europa  e Ásia tenham que dar a volta pelo Cabo da Boa Esperança, no sul do continente africano.

O Canal de Suez tem hoje 195 km de extensão – é o mais longo do mundo, 24 metros de profundidade e 205 metros de largura e por ele passa 12% do comercio mundial. Para se ter uma ideia, em 2020, passaram pela via quase 19 mil navios, com uma tonelagem líquida de 1,17 bilhão de toneladas, o que significa uma média de 51,5 navios por dia.

O Ever Given partiu do porto chinês de Yantián com destino ao porto de Roterdã, na Holanda, e na terça-feira (23) quando estava no extremo sul do canal de Suez, adentrando à hidrovia, foi colhido por uma tempestade de areia com ventos superiores a 50 km por hora, e a falta de visibilidade e defeitos nos controles de manobra empurraram o navio que ficou encalhado na diagonal entre as duas margens do canal, bloqueando completamente a passagem.

Impedidos de passar, dezenas de embarcações, incluindo diversos petroleiros, em ambos os lados do canal, justamente em um momento em que a logística global sofre com fechamento de portos, atrasos na liberação das cargas e consequente falta de navios e equipamentos.

O bloqueio pode custar ao comércio global de 6 a 10 bilhões de dólares por semana (R$ 34,5 a 57,5 bi – compare o valor  ao auxílio emergencial definido em R$ 44 bi),  afetando especialmente a Europa, mas nos atinge também.

Ao menos 21% de toda a carga brasileira de contêineres refrigerados, que levam nossa carne para o Oriente Médio passam pelo Canal de Suez e o bloqueio afetará as empresas exportadoras, no momento que mais precisamos de geração de empregos e de renda.

Mas, mais que isso, os fretes em geral devem disparar devido a redução na disponibilidade de navios e o preço do petróleo já subiu 4% desde terça-feira em função da perspectiva de represamentos na entrega do produto. Some-se a isso o atraso no fornecimento de peças vindas da Ásia para a indústria brasileira.

No momento em que o Banco Central precisou intervir na taxa básica de juros para impedir uma disparada na inflação, este bloqueio, que certamente vai pressionar ainda mais os preços, realmente não veio em boa hora. Informações apontam para a possibilidade de desencalhar o Even Given até a quarta-feira (31).

De qualquer forma, fica claro que, num mundo globalizado como este, qualquer coisa que acontece lá, respinga aqui.

Pensa nisso, Nos vemos na próxima coluna e até lá, se cuida.