29 de junho de 2020


29 de junho de 2020

29-06-2020_COLUNA_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros. Como já sabem, neste espaço discutimos e procuramos trazer entendimento a situações econômicas de nosso cotidiano, que nos afeta, mas que, no mais das vezes acabamos não dando muita importância.

A ideia é de abordar de forma clara e simples algum tema do momento, que seja importante, relevante e que nos afete. Mas esta coluna é feita com sua participação. Mande um e-mail para nós no economiapratodos@nupea.org e escreva sobre o que você gostaria de ver comentado aqui. 

Na coluna passada falei da importância e das diretrizes que devem ser levados em conta em um processo de aceleração da industrialização na nossa cidade. No dia de hoje quero falar um pouco acerca de um fenômeno que está acontecendo aqui em Londrina que é o fomento ao desenvolvimento de Inovações calcadas em tecnologia, e cujas informações muitas vezes não alcança o público em geral.

Bom, desenvolver economicamente uma cidade é estimular a criação de empregos, geração de renda, elevação na arrecadação que, em última instância, se traduzirá em melhor qualidade de vida de seus munícipes e no seu consequente desenvolvimento social.

Ora, cada comunidade possui um conjunto único de atributos que podem aumentar o potencial para o desenvolvimento econômico local.  São essas condições que determinam a vantagem competitiva de uma cidade na sua capacidade para atrair, gerar e reter investimentos.

E Londrina, de a muito, tem dado mostras de que seu potencial para a inovação seria a mola propulsora deste desenvolvimento, tanto pela presença de ótimas instituições de ensino, centros de pesquisa de referência nacional, e por empresas com vocação tecnológica.

No entanto, era preciso identificar exatamente quais seriam os setores com maior chance de transformar esse potencial em realidade.

Em 2017, com a efetiva participação das instituições locais e por meio do SEBRAE, foi contratada a Fundação CERTI, uma organização de pesquisas vinculada a Universidade Federal de Santa Catarina para levantar quais seriam as potencialidades e vocações de nossa cidade. 

O resultado que eles chegaram foi que temos uma aptidão para a inovação especialmente em 5 grandes setores. Cadeia do Agronegócio (quando falamos de cadeia do agronegócio estamos nos referindo a própria produção agrícola e pecuária, a indústria de insumos e equipamentos utilizados na agricultura, e a indústria que utiliza como insumo a produção agropecuária)

O Setor da Saúde (considerando a indústria de base química e biotecnológica; a indústria de equipamentos mecânicos, eletroeletrônicos, próteses e órteses e outros materiais de consumo do setor médico)

O Setor Eletro metalmecânico; envolvendo a manufatura de Equipamentos Eletrônicos, Equipamentos Elétricos, Máquinas e Equipamentos Mecânicos.

Setor Químico e Materiais, considerando desde a indústria de polímeros, aços e ligas especiais, química verde, e materiais de alto desempenho

 e Setor de Tecnologia da Informação e Comunicação.  Aqui se referindo a indústria de equipamentos de informáticas quanto na produção de softwares.

A conclusão foi que estes cinco setores traduzem sim, a vocação da nossa cidade e tem o potencial para nortear este Ecossistema Produtivo focado na Inovação e no Desenvolvimento Tecnológico.

Mas para materializar esse desenvolvimento de forma ordenada e segura é fundamental construir um Planejamento que considere colocar juntos três grandes agentes: A Universidade, O setor produtivo e o governo.

Este arranjo envolvendo estes três agentes é um conceito conhecido como Tríplice Hélice, inicialmente pensando pelo físico argentino Jorge Sábato (por isso conhecida como Triangulo de Sábato e depois refinada por dois outros pesquisadores norte-americanos Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorff, quando então o modelo recebeu a denominação de Tríplice Hélice.

Isso porque a interação entre universidade, indústria e governo é um mecanismo essencial à inovação e ao crescimento em economias baseadas no conhecimento, pois este modelo permite, através das interações entre esses atores, a ampliação do desenvolvimento regional.

O passo seguinte foi constituição da Governança de cada um destes setores. É na Governança que estes setores Universidade, Industria e Poder Público constroem um relacionamento entre eles para monitorar e incentivar cada um destes segmentos, e estas governanças juntas formam o que chamamos Governança do Ecossistema de Inovação.

Embora ainda um bebê, estas governanças começam a fomentar a criação de empresas de base tecnológica e a criação e adoção de novas soluções para o setor produtivo que vai fazer com que Londrina tenha um salto na geração de emprego e renda que será fantástico e que depois muitos se perguntarão como isso aconteceu.

Não foi sorte, foi planejamento.

A construção deste planejamento ainda demandará muito esforço e suscitará muitos debates, mas estão lançadas as bases para que nossa cidade trilhe o bom caminho para seu desenvolvimento econômico e social.

Pensa nisso.

Te vejo na próxima coluna e até lá, se cuida.