26 de outubro de 2020


26 de outubro de 2020

Coluna da UEL FM 26/10/2020

26-10-20_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros. Na coluna passada falei sobre a possibilidade de estarmos vivenciado um processo de disrupção em termos de meio de pagamento com a implantação do PIX – sistema de pagamentos instantâneos, que pode levar a extinção do dinheiro como o conhecemos.

Hoje volto a este tema, a pedido de Marcos Stawski, Amalia Kerzt, nossa jornalista Valéria Giane e da Glena Martins para explorar um pouco mais do que é esta ferramenta de pagamentos chamada PIX que foi desenvolvida e é operada pelo Banco Central do Brasil

Por pagamento instantâneo entenda-se uma transferência eletrônica de recursos financeiros entre duas contas, em que a pessoa que enviou e a que recebeu são avisadas imediatamente, e o dinheiro migra de uma para a outra em questão de segundos.

Este procedimento está disponível para o correntista brasileiro desde 2002, quando foi implantada a Transferência Eletrônica Disponível (TED), que permite via internet banking, realizar transferências, de segunda a sexta entre 6h30 e 17h00, a um custo médio de R$ 8,00 por operação.

Lembrando que também temos o DOC – documento de Crédito, que não é uma transferência instantânea porque só vai entrar na conta do creditado no dia seguinte da operação e custa o mesmo que uma TED.

Então ... qual a novidade? O PIX traz uma série de vantagens em relação à TED, a começar pela gratuidade para pessoas físicas e Microempreendedores Individuais, operará 24 horas por dia, todos os dias da semana e dispõe de uma forma muito mais simples de realizar a operação, que pode ser feita do celular a partir de uma chave virtual.

Mais de 50 países já adotam ou estão em vias de adotar sistema semelhante ao PIX. A Índia  por exemplo, conta com transferências por celular desde 2016 por um aplicativo chamado Aadhaar, na China são dois sistemas privados, Alipay e WeChat Pay.

O Chile foi o primeiro país da AL a adotar um sistema de pagamentos nestes moldes, mas é no México que esta solução mais se parece com a adotada aqui, chamado CoDi, que permite transferências instantâneas utilizando o celular.

Se você gostou desta ferramenta e quer utilizá-la, pode fazer sua adesão acessando a home page de seu banco e cadastrando uma chave PIX, que pode ser o número do seu celular, CPF/CNPJ, e-mail, ou ainda há a possibilidade de chaves aleatórias para quem não quer passar dados pessoais a outros.  Pessoas físicas poderão registrar até cinco chaves PIX por conta enquanto pessoas jurídicas até 20 chaves.

Muitos consideram que utilizar CPF ou endereço de e-mail é arriscado uma vez que esses dados são facilmente localizados. No entanto, essa a chave funciona como um apelido para sua conta que facilita sua identificação no momento que alguém realiza uma transferência para sua conta.  Então a chave não permite o acesso a sua conta e sim, unicamente localizar sua conta para efeito de crédito, ok?

Então, se você vai fazer uma transferência ou pagar por uma compra basta abrir o APP de seu banco no celular, selecionar a opção PIX que deverá estar junto com as opções TED e DOC, fazer a leitura do QR Code, aquele desenho de código de barra em formato quadrado, com o celular ou inserir uma das chaves PIX do recebedor, confirmar a operação e ... pronto, o dinheiro foi transferido.

Então, pra que você vai querer andar com dinheiro ou cartão de débito se todos aceitarem o PIX? A ideia é que você possa pagar entrada de cinema, passagem de ônibus, cafezinho, tudo com este sistema.

Isso reduz significativamente os custos para quem vende. Só para ter uma ideia, o valor cobrado do comerciante por cada venda no cartão de débito varia entre 2 e 3%. Isso significa que numa venda de R$ 300,00 o comerciante já perdeu R$ 9.00.

Mas tem mais novidade. O Banco Central promete liberar também o PIX agendado. Ou seja, da mesma forma que você pode deixar programado uma transferência para outra conta em uma data futura, no PIX também poderá.

É certo que os bancos vão utilizar esta possibilidade para criar uma nova solução de compras a crédito. Por exemplo, te dão um limite de PIX agendado de R$ 5.000,00 e você estabelece uma data para que todas as suas transferências ocorram em um único data de cada mês. No momento que você vai fazer uma compra, informa a quantidade de parcelas com que quer pagar a compra e automaticamente o sistema agenda cada parcela para as datas dos meses seguintes. Pronto, mesma funcionalidade do cartão de crédito.

Só que veja. Para parcelamentos, de acordo com a operadora, o comerciante tem que pagar entre 3% e 12%. Na pior situação, em uma venda de R$ 300,00 o comerciante já sai perdendo R$ 36,00.

Se o cartão de crédito vai acabar ainda é cedo para dizer, mas certamente ele terá que reduzir suas taxas para se manter competitivo.

Agora veja outra facilidade. Os Bancos virtuais como Nubank, C6, banco Inter, tem custos muito elevados para saques em dinheiro nos caixas eletrônicos, porque as grandes redes bancárias, donas dos caixas,  dificultam ao máximo o acesso delas a esta facilidade.

Com o PIX, todo estabelecimento comercial vira um caixa eletrônico, porque basta você depositar na conta dela um determinado valor para ela lhe devolver em dinheiro. Porque la faria isso? Primeiro porque a loja está fazendo um depósito na conta sem precisar se deslocar até o banco. Segundo porque ao lojista interessa ficar com a menor quantidade de dinheiro em espécie na loja, por uma questão de segurança e terceiro porque é uma forma de atrair o cliente para sua loja. Então, todos ganham.   

A partir de 16 de novembro esta facilidade estará disponível a todos que tiverem feito o cadastro de suas chaves PIX. Acredito que esta ferramenta permitirá uma diversidade de novos produtos e redução significativa nos custos de transações.

Pensa nisso.

Te vejo na próxima coluna e até lá, se cuida.

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