24 de maio de 2021


24 de maio de 2021

24-05-2021_-_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros.  Você já se perguntou por que o dólar é a principal moeda no mercado internacional? Durante a segunda metade do século XIX, a moeda mais respeitada do mundo era a libra esterlina, da Inglaterra, tanto porque era a potência mundial da época e porque foi lá o nascedouro da Revolução Industrial. Por que razão a libra esterlina perdeu sua posição para o dólar? Quando e como isso aconteceu?

Até o início da 1ª Grande Guerra as moedas da maioria dos grandes países estavam vinculadas ao padrão-ouro, ou seja, o valor da moeda de cada país era fixado conforme a quantidade de ouro que ele detinha.

Após a 1ª Grande Guerra os países foram abandonando esse padrão monetário. As economias estavam crescendo e produzindo muito mais e era preciso mais dinheiro para realizar as operações de compra e venda. Como a quantidade de ouro não aumentava tanto quanto o aumento de bens e serviços, os países acabaram imprimindo dinheiro de acordo com o crescimento de suas economias deixando de lado a necessidade do lastro em ouro. Pode-se dizer que o lastro em ouro foi substituído pelo lastro em produtos. Mais produtos - mais moeda.

Mas em setembro de 1939, tropas alemãs cruzam a fronteira polonesa e iniciaram a 2ªGrande Guerra. Os Estados Unidos passam a ser os grandes fornecedores para os países aliados, vendendo material bélico (aviões, canhões, caminhões, navios, bombas etc.) e outros produtos como alimentos que eram necessários para atender às populações europeias, que sofriam desabastecimento e viam suas indústrias desativadas.

Percebam que tudo aquilo que os Estados Unidos produziam não era dado, era vendido. Os aliados tinham que pagar por estes produtos. Isso significou um enorme crescimento da economia americana que passou a condição de maior potência mundial.

Finda a Guerra, os países europeus estavam com suas indústrias destruídas. Tinham abandonado o lastro em ouro e a produção também não tinha como servir de garantia com sua capacidade de produção arrasada. A inflação disparou. Não se sabia quanto valia uma libra esterlina, um marco alemão ou a Lira italiana.

Os Estados Unidos como grande vencedor econômico da 2ª grande Guerra, vai capitanear os esforços para a reconstrução da Europa, mesmo porque temia que as economias devastadas pela guerra pudessem adotar o socialismo como sistema político e econômico.      

Para preparar esta reconstrução, 730 delegados de todas as 44 nações aliadas (entre elas o Brasil) encontraram-se no Mount Washington Hotel, na cidade de Bretton Woods, Estado de New Hampshire, para a Conferência monetária e financeira das Nações Unidas.

Dali foram criados o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, mais tarde renomeado para Banco Mundial, o FMI Fundo Monetário Internacional; o GATT Acordo Geral de Tarifas e Comércio, atualmente chamado OMC Organização Mundial do Comercio e definida a retomada ao padrão-ouro.

Como os países da Europa ao pagarem o esforço de guerra feito pelos Estados Unidos, não tinham ouro suficiente para retornar a este padrão, as moedas destes países passaram a ficar lastreadas em dólar. Este sim tinha possibilidade de manter seu lastro em ouro já que tinha ficado com a riqueza das economias que ele tinha apoiado na guerra.

Então os países emitiriam suas moedas não de acordo com a quantidade de ouro que tinham mas sim de acordo com a quantidade de dólares que acumulassem, já o dólar sim, seria todo emitido com lastro em ouro. Os EUA se comprometiam a comprar tudo o que eles produzissem para que pudessem acumular dólares. Isso ficou conhecido como o padrão-dólar-ouro.

À medida  que as economias europeias iam recompondo sua capacidade produtiva, as importações americanas iam criando um enorme déficit. Roberto Triffin, um economista belga-americano começou a se dar conta que os americanos, para sustentar um déficit tão elevado, deveriam estar emitindo dólar  sem o respectivo lastro em ouro.

As economias europeias, também começaram a ficar desconfiadas. E quanto mais elas cresciam. Mais precisavam de dólares para lastrear a emissão de suas moedas. E quanto mais precisavam de dólares mais desconfiavam que ele era emitido sem lastro. Tipo assim – quanto mais eu te amo, mais acho que me trais. Tal situação ficou conhecida como o paradoxo de Triffin.

O fato é que realmente os Estados Unidos estavam emitindo dólar sem lastro e para encurtar a história, em  15 de agosto de 1971, Richard Nixon abole a conversibilidade do dólar em ouro, o que significava a extinção do padrão-ouro.

Ora as economias do mundo estavam com enorme acúmulo de dólares em suas reservas. O que fazer? Deixa do jeito que está, e se deu certo até aqui, continua. Nascia assim a moeda fiduciária, aquela que não está lastreada em dólar e o que prevalece até hoje.

Então, não foi legal saber como o dólar se tornou a moeda do mercado mundial? Foi tudo tramado para ser assim? Sei lá.

Pensa nisso.

Te vejo na próxima coluna e até lá, se cuida.