22 de março de 2021


22 de março de 2021

22-03-2021_-_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros. Temos falado bastante em inflação especialmente dos alimentos. Na tentativa de controlar a alta dos preços, na última quarta-feira (17/03) o Comitê de Política Monetária, órgão do Banco Central decidiu pela elevação da taxa básica de juros. É bem possível que você não faça ideia como a elevação dos juros pode conter a inflação e quais as implicações disso no nosso cotidiano. A coluna de hoje dedico a isso.

Taxa SELIC é o acrônimo de Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Essa é a taxa de juros que incide sobre operações diárias entre os bancos e serve como referência para todas as demais taxas de juros, seja de crédito pessoal, financiamento de carro, crédito para as empresas, juros do cartão ou do cheque especial. Portanto, uma elevação na taxa SELIC significa elevação em todas as taxas de juros praticados na economia.

A inflação, por sua vez é definida pelos economistas como o aumento generalizado nos preços, exatamente isso que estamos vivenciando com o arroz, feijão, óleo de soja, carne e por ai vai. Isso implica na perda do poder de compra tanto para nós consumidores quanto para as empresas que precisam adquirir insumos para realizar sua produção.

Agora imagina. Se antes você podia comprar 10 e agora só pode comprar 8 porque os preços subiram, quem produz também terá que ajustar sua produção e o fará comprando menos insumos e demitindo funcionários. Além disso, terá que repassar o aumento nos custos para os produtos alimentando mais ainda a inflação em um ciclo vicioso.

Menos empregos, menos renda. Menos renda significa menos produção, que provoca mais desemprego. Esse processo se retroalimenta e ganha velocidade e intensidade, levando ao colapso da economia.

E qual a causa da inflação? Um descompasso entre a quantidade de produtos que indivíduos e empresas querem adquirir e a quantidade disponível para compra - muita gente querendo comprar e não tem produção na mesma intensidade.

E não adianta pensar em aumentar a produção para corrigir este descompasso, porque para produzir é preciso primeiro comprar e entre comprar e produzir há um tempo, ou seja, há um aumento na demanda  sem que tenha ainda ocorrido aumento na oferta. Consequência - mais inflação. Pensa em feijão por exemplo: primeiro é preciso comprar a semente, os fertilizantes, abastecer o trator,  pagar quem vai fazer o plantio, rezar pela chuva na hora certa, esperar até a colheita, para então só ai ofertar o produto no mercado. Até lá será necessário conviver com a mesma quantidade de feijão, mas você não deixou de comprar os produtos para produzí-lo. Assim é com tudo. 

Então é preciso conter o consumo para controlar a elevação nos preços. É obvio que isso implica em reduzir a atividade econômica e a forma de fazer essa redução é pelo aumento nos juros.

Funciona assim. Um aumento nos juros tira o estímulo de consumidores e empresas para comprarem. Os primeiros compram para consumir e as empresas compram para produzir. Diminuindo suas compras os preços deixam de ser pressionados e param de subir, controlando a inflação.

Mas convenhamos, não parece sensato tomar a decisão de aumentar os juros em plena pandemia, com desemprego recorde e depois de um ano em que nosso PIB caiu 4,1%. Parece um contrassenso e te leva a perguntar? Afinal o que é pior? Ter juros altos e frear a economia ou conviver com a inflação?

Bom, como dizia o saudoso Joelmir Beting: todo avião que sobe, uma hora desce. Resta saber como. Com juros altos é uma queda controlada e dá as condições para futura decolagem. Com inflação vai parecer como o avião da chapecoense.  Queda livre e iminente catástrofe.


Pensa nisso, Nos vemos na próxima coluna e até lá, se cuida.