21 de setembro de 2020


21 de setembro de 2020

21-09-20_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros. Na coluna passada abordamos os impactos que uma alteração na taxa de câmbio tem sobre o comércio e como a atual alta no câmbio tem trazido elevação no preço dos alimentos, em especial para o arroz o óleo de soja e a carne.

Hoje quero falar um pouco sobre a importância da indústria para qualquer economia, mas em especial para nossa cidade, e como a indústria de Londrina vem declinando sua participação na composição do nosso PIB.

Trago este tema porque é importante que tenhamos uma ideia melhor de como podemos fazer um enfrentamento aos desafios que virão pela frente, passado o flagelo da pandemia do corona vírus.

Lembro que PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região, durante um período determinado, pode ser mensal, trimestral ou anual, por exemplo. E para facilitar a contabilidade do PIB os economistas o dividem em três grandes grupos: Setor primário que incorpora a agropecuária e o extrativismo, o setor secundário que contabiliza toda indústria e o setor terciário que abarca a prestação de serviços e o comércio. Então advogados arquitetos, mecânicos, professores, vendedores, estão todos no setor terciário.

Muitos ainda acreditam que o setor primário tem um papel preponderante na economia de Londrina. Nada mais equivocado. Para ter uma ideia, o PIB de Londrina de 2017 que foi de um pouco mais de 19 bilhões de reais, (último ano disponível no IBGE) agricultura e pecuária foram responsáveis por 1,5%.

A Industria, por sua vez representou 15,5% enquanto o setor terciário, (comercio e serviços do setor privado) representou 58,7%.

Com isso em mente, agora podemos falar um pouco da importância da indústria para uma economia e para isso faço uma analogia com alguém fazendo polenta. No momento que a polenta é feita, é preciso mexê-la na panela sem parar, porque você precisa trazer oxigênio para a mistura e transferir o calor de maneira igual àquela massa.

Esse é o papel o setor terciário. É o professor que ao receber seu salário, vai ao cabelereiro, que pega esse dinheiro e paga seu funcionário, que por sua vez vai na lanchonete comprar um hamburguer e por aí vai. É o setor terciário que tem o papel principal de oxigenar a economia e democratiza a renda fazendo com que o dinheiro circule entre todos.

Mas quem coloca fubá novo na panela é a indústria. Não é só a indústria que faz isso, mas o foco hoje é o setor de manufatura, ok? Como a indústria realiza esse papel relevante de colocar mais fubá na panela?

Ora, a indústria utiliza mão de obra local, matéria prima local, empresários locais, capital local, tecnologia local, mas seus produtos não são vendidos, na sua maioria aqui na cidade. Ele vende para outras cidades, para outros estados e para outros países. Então ele traz dinheiro novo para a economia. Utiliza fatores de produção local, que são pagos aqui, mas com dinheiro que veio de fora. Esse papel é preponderante no setor industrial.

Então, todos os setores são importantes, é claro, mas cada um desempenha um papel diferente e precisamos ter um balanceamento, um equilíbrio entre cada um dos setores.

Mas veja que Londrina perdeu muito da participação industrial nos últimos anos. Para ter uma ideia, em 2002 a indústria representava 23,3% de nosso PIB e em 2017 15,5%. É uma perda muito significativa que precisa ser revertida.

Mas é qualquer indústria que nos interessa? Não. É preciso ter o foco em indústrias de base tecnológica. Primeiro porque Londrina coloca no mercado 800 novos engenheiros anualmente e esse número deverá dobrar esse número nos próximos anos. E engenheiro trabalha na indústria, precisamos ter vagas disponíveis para esta força de trabalho altamente qualificada e cara para ser formada.

Para absorver esse número de engenheiros precisamos de indústrias que tenham na tecnologia e na inovação sua vocação. Além disso, indústrias de base tecnológica são intensivas em conhecimento e não em matéria prima, portanto são muito menos poluentes e agr4egam muito mais valor a cada unidade produzida. Também necessitam de muito menos espaço para se instalarem. E pagam melhores salários.

Considere também que estas novas industriais devem se somar aquelas que estão produzindo aqui e não serem competidores que acabem quebrando a indústria já instalada.

Então, uma forma de enfrentarmos os desafios que se avizinham é ter a capacidade de desenvolver a indústria local e atrair novas indústrias de base tecnológica que se juntem a estas, gerando emprego renda e qualidade de vida. Este posicionamento deve ser cobrado de nossos próximos administradores públicos.

         

Pensa nisso.

Te vejo na próxima coluna e até lá, se cuida.

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