14 de dezembro de 2020


14 de dezembro de 2020

14-12-20_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros. Nas duas últimas colunas falamos um pouco sobre criptomoedas, que são moedas virtuais, portanto não tem existência física, e da tendência natural para sua adoção por parte dos Bancos Centrais do mundo, mas buscamos fazer uma distinção entre a tecnologia da criptomoeda com os Bitcoins da vida e estou utilizando este espaço para falar um pouco sobre o porque da relutância por parte das autoridades monetárias em aceitar moedas virtuais descentralizadas, ou seja, que não são emitidas pelos próprios bancos centrais.

Falamos que nenhum governo vai querer perder seu direito de Senhoriagem, que em última instância é um ganho social e o bitcoin o transforma em um ganho privado. Falei também sobre a dificuldade imposta por uma moeda descentralizada no que diz respeito a política fiscal, que é como o governo administra suas receitas e despesas e uma moeda descentralizada simplesmente retira a capacidade do governo de tomar conhecimento das transações , o que torna estas moedas um instrumento de sonegação fiscal.

Na página da rádio UEL você poderá acessar a estes pod casts.

Hoje concluo este tema abordando como as moedas descentralizadas impedem o governo de fazer política monetária e as implicações advindas desta incapacidade.

Política monetária é a atuação de autoridades monetárias sobre a quantidade de moeda em circulação. Vou me ater aqui a forma com que o governo controla a quantidade de dinheiro em circulação utilizando a taxa básica de juros e como este controle serve para manter a inflação dentro dos parâmetros estipulados.

Comecemos então por definir a inflação. A inflação é o aumento generalizado nos preços, exatamente como o que estamos vivenciando especialmente nos alimentos. A inflação  sacrifica as pessoas na medida que tira o poder de compra de seu dinheiro. Portanto inflação é algo absolutamente indesejável na economia.

A inflação tem duas causas fundamentais – ou porque houve um aumento nos custos de produção que são repassados aos produtos – chamado inflação de custo ou porque a quantidade de um produto é inferior a quantidade de pessoas que o querem, fazendo então com que os preços subam – chamado inflação de demanda. Vale ressaltar aqui que a inflação de custos é bem mais difícil de ser controlada que a inflação de demanda.

Para entender como o governo busca controlar a inflação temos que saber a atuação do banco central, que é nossa autoridade monetária. Lá existe um comitê chamado COPOM – Comitê de Política Monetária que se reúne a cada 45 dias e define qual será a taxa básica de juros. A taxa básica de juros é aquela que vai remunerar os títulos vendidos pelo governo, os chamados títulos públicos ou títulos da dívida ou ainda títulos soberanos.

Caso as pessoas prefiram aproveitar os juros pagos pelos títulos públicos, eles utilizarão seu dinheiro para compra-los em vez de utilizá-los para comprar outros produtos. Ou seja, teremos menos pessoas disputando a compra de bens e serviços, já que estão utilizando seu dinheiro para comprar títulos públicos e aproveitar esta remuneração que são os juros.

Menos pessoas comprando fazem com que os preços caiam. É desta forma indireta que o governo controla a inflação. Ele controla a taxa de juros e a taxa de juros torna mais atrativo comprar títulos que mercadorias

Agora tenta imaginar o governo controlar a inflação utilizando a taxa de juros quando a emissão de moeda não é controlada por ele como é o caso das moedas descentralizadas tipo bitcoin? Ele simplesmente não consegue e quem vai sofrer é a sociedade com o descontrole dos preços.

Por essas razões: perda da capacidade de fazer política fiscal, perda da capacidade de fazer política monetária e a privatização dos ganhos com a senhoriagem fazem com que moedas virtuais descentralizadas não tenham vida fácil frente às autoridades monetárias.

 

Pensa nisso.

Te vejo na próxima coluna e até lá, se cuida.