13 de julho de 2020


13 de julho de 2020

13-07-2020 COLUNA ECONOMIA PARA TODOS

Olá meus caros. Como já sabem, neste espaço discutimos e procuramos trazer entendimento a situações econômicas de nosso cotidiano, que nos afeta, mas que, no mais das vezes acabamos não dando muita importância.

A ideia é de abordar de forma clara e simples algum tema do momento, que seja importante, relevante e que nos afete. Mas esta coluna é feita com sua participação. Mande um e-mail para nós no economiapratodos@nupea.org e escreva sobre o que você gostaria de ver comentado aqui. 

Na coluna passada falei sobre o acompanhamento que fazemos da inflação da cesta básica de Londrina e sua importância para a tomada de decisões, especialmente da gestão pública.  No dia de hoje vou abordar um tema que nos é apresentado todos os dias mas nem todos tem a dimensão de como nos atinge e como impacta na inflação da cesta básica.

É a taxa de Câmbio, que abriu hoje pela manhã a R$ 5,324, ou seja, você precisará de R$ 5,32 centavos para adquirir 1 US$. Aparentemente esta informação interessaria a quem faz comércio internacional ou a quem vai em viagem para o exterior, mas na verdade, o valor do dólar frente ao Real nos afeta muito mais do que a maioria imagina. Vamos conversar um pouco sobre isso, considerando sempre o dólar como nossa moeda de referência.

Basicamente temos duas taxas de câmbio chamadas Taxa Real e Taxa Nominal. Câmbio real é uma medida de poder de compra de uma moeda de um determinado país em relação a outro. Grosso modo você pode calcular a taxa de câmbio real selecionando um cesta de bens e serviços e verificando quanto ela custaria nos Estados Unidos e quanto custaria no Brasil.

Vamos supor que esta cesta de bens e serviços custe no Brasil R$ 160,00  e nos EUA US$ 40. Divida 160 por quarenta e obterá 4. Ou seja, você precisa de R$ 4,00 para comprar aquilo que US$ 1 compra. Esta é a Taxa de Câmbio Real.

Mas a taxa de câmbio que nos apresentam todos os dias é a Taxa de Câmbio nominal, e como no Brasil utilizamos o câmbio flutuante, é o mercado, por meio da leia da oferta e procura que define esta taxa.

Funciona assim. Imagina que o dólar não seja uma moeda mas uma mercadoria como outra qualquer, por exemplo laranjas. Se a oferta de laranjas é grande porque a produção foi ótima, seu preço tende a cair, mas se a produção for ruim e a oferta for pequena, o preço tenderá a subir, correto? Também é correto afirmar que, se mais consumidores querem comprar laranjas, porque ajuda a combater os efeitos da gripe, por exemplo, seu preço sobre, mas se as pessoas demandarem menos laranja porque estão preferindo mexericas, seu preço cai.

Então é o mercado, por meio da lei de oferta e procura, que define o preço da laranja.

O mesmo acontece com o dólar. Se por exemplo, há muitos estrangeiros querendo investir seu capital no Brasil, comprando títulos públicos para ganhar os juros ou comprar ações de empresas para ficar com parte dos lucros, eles vendem seus dólares para comprar reais e realizar estes investimentos.

Acontece que, neste momento, os investidores estrangeiros estão querendo se desfazer de seus investimentos, porque os títulos públicos estão pagando juros muito baixos e as empresas, em virtude da pandemia, em vez de lucro, estão tendo prejuízo.        

Eles vendem suas aplicações e querem comprar dólares e tirá-los daqui levando-os para lugares mais seguros. Com isso a demanda por dólares aumenta e consequentemente seu preço sobre.

Daí que você me pergunta. Tá, e eu com isso? Bom, imagina que o mercado internacional esteja pagando US$ 10 pela arroba do boi. Se o taxa de câmbio nominal está em R$4,00, quem vende recebe o equivalente a R$ 40,00. Agora, se o câmbio estiver em R$5,00, ele receberá pela mesma arroba do boi R$ 50,00. Ora, o produtor não tem preferencia por vender a carne para você ou para os chineses. Ele venderá para quem pagar mais. O que significa que se você não pagar os R$50,00 pela arroba do boi, ela será vendida para um chinês, que está disposto a pagar este preço. Entendeu?

Agora observe, em 2 de janeiro o dólar estava a R$ 4,02 e no dia 30 de junho estava em 5,47, uma alta de 36%.

Veja o preço da carne aqui em Londrina. No dia 1º de janeiro você pagava em média R$19,65 pelo quilo de coxão mole. No dia 30 de junho o preço deste mesmo quilo de carne estava na media a R$ 27,85, ou seja uma alta de 41,7% em um produto que representa mais de 40% do custo de uma cesta básica de alimentos para sustentar um adulto durante um mês.

Percebeu como este indicador tem impacto sobre nosso orçamento?       

Pensa nisso.

Te vejo na próxima coluna e até lá, se cuida.