10 de maio de 2021


10 de maio de 2021

10-05-2021_-_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros.  Me chamou a atenção uma reportagem no Valor Econômico desta semana que aborda a proposta de redução da jornada de trabalho na Espanha de cinco para quadro dias semanais, diminuindo de 40 para 32 a quantidade de horas.

O fato em sí não é nenhuma novidade pois a redução da jornada de trabalho tem sido uma tônica desde a revolução industrial. A seis gerações o comum era trabalhar 90 e não raro 100 horas por semana.

Todavia, esta proposta foca na mudança do cenário de desemprego e trabalho precarizado com os contratos temporários, promovendo a geração de novos empregos. O aumento da produtividade é o que está por traz desta possibilidade. Tal medida somente pode ser levada a cabo porque a incorporação de novos processos, novas tecnologias e novas maquinas permitem que a produção se realize.

E é nisso que chamo sua atenção. Tem pouco mais de 200 anos o surgimento de um movimento de trabalhadores ingleses que se notabilizou pela destruição de máquinas como forma de protesto contra o progresso tecnológico, causa segundo eles, da perda de postos de trabalho.

Este movimento ficou conhecido como Ludismo em referência a um suposto operário britânico chamado Ned Ludd ou John Ludd que teria quebrado as máquinas de seu patrão em um ataque de fúria. De verdade, este personagem nunca foi encontrado mas serviu de referência para o movimento.

Mas é interessante observar que de tanto em tanto esta ideia da tecnologia como geradora de desemprego volta à baila e parece que alguns são favoráveis a ressuscitar o movimento ludista se posicionando de forma contrária ao desenvolvimento e adoção de novas tecnológicas e automações nas industrias.

É inegável que a implementação tecnológica e a automação destroem e continuarão a destruir milhares de postos de trabalho que sejam repetitivos e puramente mecânicos simplesmente porque utilizar mão-de-obra humana para isso é um completo desperdício de recurso e de dinheiro.

É a utilização de máquinas e de inteligência artificial que permite e permitirá mais ainda que a humanidade se veja livre do trabalho repetitivo e esgotante e por essa razão é difícil de entender quem condene as máquinas e deseje que seres humanos permaneçam em atividades mecânicas, tediosas e onde ele é bem menos produtivo.

O uso de tecnologia e maquinário robotizado para substituir estas atividades não só não levou a queda nos níveis de emprego ou renda como foi a grande responsável pela elevação dos padrões de vida para todas as classes sociais.

Não desconsiderando as lutas dos operários para a redução da jornada de trabalho, é importante lembrar que é o aumento da produtividade que dá as bases para tal. A simples redução da jornada sem o aumento da produtividade diminuiria a oferta de bens e serviços, com consequente perda de renda e não elevaria o padrão de vida para ninguém simplesmente porque não disponibilizaria mais bens e serviços para atender nossas crescentes necessidades.

Mas agora vem um detalhe importante para todos que queiram participar deste banquete. Se a sua ocupação requer que você apenas efetue coisas repetitivas, coisas que não requerem muito raciocínio, então seria bom você ficar esperto e começar a procurar algum setor que possua algum conjunto de problemas que alguém com suas habilidades possa resolver.

É a capacidade de saber resolver problemas que garante a empregabilidade. A implementação de tecnologia não vai elevar as taxas de desemprego, mas seguramente vai exigir a mobilidade dos trabalhadores para setores que utilizarão sua criatividade para a solução de eventos que a máquina é incapaz de realizar.

Mas também é indiscutível que, além da própria mobilização do trabalhador, há a premente necessidade de remodelar nosso sistema educacional. Se nosso sistema educacional focar no treinamento para a solução de problemas, então o país tem futuro e prosperará, caso contrário estará enganando o povo e condenando-o a pobreza.


Pensa nisso.

Te vejo na próxima coluna e até lá, se cuida.