09 de agosto de 2021


09 de agosto de 2021

09-08-2021_-_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros. Observo a preocupação das pessoas em relação a elevação no custo de vida que estamos presenciando, e explicações e soluções nem sempre muito ortodoxas acerca de como conduzir a economia para uma solução no que diz respeito a inflação. Dedico a colona de hoje a uma análise sobre o tema.

Os dados da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico mostram que a elevação das taxas de inflação neste primeiro semestre de 2021 é um fenômeno mundial a atingir todos os países economicamente relevantes.

Um pais não pode conviver com índices de inflação elevados. Isso porque a inflação embute enorme potencial para causar prejuízos a economia. O aumento dos preços mina o poder de compra da população, especialmente das classes mais baixas que, com menos dinheiro no bolso, corre mais riscos de ficar endividada e inadimplente.

Além disso, cria um cenário de incertezas para o investidor, que, desconfiado dos rumos da economia do país, tende a suspender ou adiar investimentos, prejudicando o crescimento.

Com menos investimentos em função da queda no consumo, novos postos de trabalho deixam de ser ofertados e a economia entra em um ciclo de retroalimentação negativa.

Isso mais que justifica a preocupação com a elevação na taxa de inflação, seja aqui, seja em qualquer outra economia.

Por essa razão os Bancos Centrais de todo o mundo, a quem cabe este monitoramento e controle da inflação, estão preocupados com a escalada nos preços e buscam explicações para tomares as melhores decisões.

E o que está causando essa elevação mundial nos preços?

Uma primeira explicação está na redução da taxa básica de juros, adotada em todo o mundo, e também aqui no Brasil, lembrando que nossa taxa chegou ao recorde de 2% ao ano, com o objetivo de incentivar o consumo e a produção em vez de ganhos em aplicações financeiras.

Como consequência, tivemos a demanda elevada por commodities agrícolas (soja, milho, por ex.),  commodities minerais (aço, petróleo, por ex.), que levaram a acentuada subida nos preços destes produtos e de todos os demais produtos que participam desta cadeia de produção. 

Some-se a isso a incapacidade da indústria em atender ao aumento na demanda global por alguns itens (escassez dos eletrônicos para a indústria automobilística, por ex. ) e políticas protecionistas e nacionalistas, que atrapalharam o livre comércio global elevaram os custos de produção.

A conjunção destes fatores somados a mudança social que acontece na China e pressiona o salário de seus trabalhadores, que antes funcionavam como uma reserva de mercado de trabalho barato, nos permite entender as razões do mundo passar por aumento generalizado no preço de seus produtos.

Em função disso, o Banco Central do Brasil, tomou a decisão e anunciou na última quarta-feira (4) o aumento em 1% na taxa básica de juros, agora em 5,25% ao ano.  Medida esta em linha com o que o mercado já previa.

Isto significa diminuir um pouco o estímulo ao consumo e ao investimento, mas lembrando que esta taxa ainda está no campo dos juros negativos, visto que a inflação projetada é de 6,88% conforme o último Relatório Focus (2). Por essa razão o mercado prevê que a taxa SELIC chegue ao final de 2021 a 7% ao ano.


Por tudo isso, um olho no peixe ... o outro no gato. Este segundo semestre vai trazer boas notícias, mas também desafios muito significativos e especialmente poderemos ver mais inflação nos alimentos. Portanto, de suma importância desenhar um orçamento doméstico equilibrado.

Pensa nisso, Nos vemos na próxima coluna e até lá, se cuida.