07 de março de 2022

07-03-22_-_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros. Embora pareça absolutamente distante e a maioria de nós até precise recorrer ao mapa mundi para identificar onde está ocorrendo o conflito bélico deflagrado pela Rússia contra a Ucrânia, os efeitos de tal ataque trará consequências bem palpáveis para todos nós.

No momento que o Banco Central busca aplicar medidas que contenham um processo de inflação crescente com a consequente queda no poder de compra das pessoas e perda do dinamismo econômico, o cenário exterior tem potencial para colocar por terra este esforço.

Tivemos um bom inicio de ano com enorme ingresso de dólares na nossa economia nos dois primeiros meses do ano. Isso por causa da elevada taxa de juros que estamos pagando de 10,75% ao ano e a percepção do investidor estrangeiro de que as ações negociadas em bolsa no Brasil estão baratas, vimos

Tal entrada de dólares derrubou a cotação da moeda americana de R$ 5,7 em 06/01 para R$ 5,06 na sexta-feira (04), uma valorização do Real frente ao dólar de 13% em dois meses, o que é muito significativo.  

Pois veja. Essa apreciação do Real abaixa o preço dos produtos que são exportados e torna também mais baratos os produtos que importamos tais como insumos e matéria prima o que  reduz o custo de produção e barateia seu preço para nós consumidores finais.

No entanto, se este conflito bélico se prolongar, o medo de perder dinheiro que tem o investidor global vai fazê-lo buscar refúgio em ativos considerados seguros, como a moeda americana  e isso pode perfeitamente trazer o dólar para  a mesma cotação de janeiro gerando novo impacto na inflação.

É isto é só parte do problema. A Rússia fornece 41% do gás e 33% do petróleo consumido pela União Europeia. A retaliação dos países ocidentais é de ordem econômica e busca sufocar a Russia impedindo que venda seus produtos.

Desnecessário dizer que estão martelando no próprio pé pois terão que compra-los de outros  produtores, fazendo explodir o preço no mercado em um momento que o mundo já vive sua maior inflação dos últimos 40 anos.

Só para lembra-los, também na sex-feira (4) o barril de petróleo fechou a US$ 118, sendo que em janeiro estava a US$ 78. E já reclamávamos. Agora imagine com este aumento de e praticamente 50%.

O efeito de um aumento desta magnitude se alastra por toda a economia, já que os combustíveis afetam a inflação de forma direta, percebida quando abastecemos o carro, mas também de forma indireta, pois todos os produtos, de uma forma ou de outra, tem na sua formação de custos o preço dos combustíveis.

A cada 1% de aumento nos combustíveis há impacto de 0,07% na inflação. Então, caso nosso câmbio chegue na mesma cotação do inicio de janeiro, o que é muito possível de ocorrer, vai representar aumento de 4,7% na inflação.  

Então, tanto para preservar vidas humanas - o mais importante, quanto para não complicar mais ainda nossa situação econômica, que as cabeças sejam iluminadas para que este conflito tenha fim imediatamente.

Tudo isso, para te dizer que temos pela frente um período bastante desafiador que exigirá de cada um e nós muita disciplina no controle de gastos. Agora o momento de contenção e comedimento.    

Pensa nisso. Te vejo na próxima coluna e até lá, se cuida.


Marcos J. G. Rambalducci - Economista, é Professor da UTFPR.