06 de julho de 2020


06 de julho de 2020

06-07-2020_COLUNA_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros. Como já sabem, neste espaço discutimos e procuramos trazer entendimento a situações econômicas de nosso cotidiano, que nos afeta, mas que, no mais das vezes acabamos não dando muita importância.

A ideia é de abordar de forma clara e simples algum tema do momento, que seja importante, relevante e que nos afete. Mas esta coluna é feita com sua participação. Mande um e-mail para nós no economiapratodos@nupea.org e escreva sobre o que você gostaria de ver comentado aqui. 

Na coluna passada falei que Londrina planeja uma economia calcada na inovação tecnológica e o quanto isto é importante para todos nós. No dia de hoje quero falar um pouco acerca da inflação de preços em especial do preço dos produtos que compõe a chamada ‘cesta básica nacional’, por que de fato, aumento nos preços dos alimentos afetam a todos, embora a uns mais e a outros menos. Vamos conversar um pouco sobre isso.

 A inflação de preços, é um aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços, portanto não é um único produto que caracterizará inflação. A inflação juntamente com a taxa de desemprego se constituem nos dois problemas básicos de qualquer economia

São os assalariados de baixa renda aqueles mais afetados pela inflação na medida em que destinam uma proporção maior do salário para alimentação e transporte (principais componentes dos índices de inflação). Uma alta no preço destes produtos podem levar a uma situação de insegurança alimentar que se caracteriza pela restrição quantitativa de alimentos

A Cesta Básica Nacional foi estabelecida pelo governo em 1938 por meio do decreto de número 399 de 30 de abril de 1938 e é composta por 13 produtos; carne, leite, feijão, arroz, farinha, óleo/banha, batata, legumes (tomate), pão francês, café moído, banana, açúcar, manteiga, cujas quantidades podem variar de acordo com a região do Brasil.

A realização de pesquisas da inflação sobre o preço da cesta básica se presta tanto para orientar o consumidor em relação a seu poder de compra destes itens básicos para sua sobrevivência, e também para dar subsídios em relação ao estabelecimento de políticas locais e nacionais visando garantir a subsistência minimamente digna do trabalhador.

Aqui em Londrina o acompanhamento mensal dos preços dos produtos que compõe a cesta básica teve inicio em maio de 2001 com prof. Flavio de Oliveira Santos e desde 2013 passou a ser realizada pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas da UTFPR.

Mas tenho certeza que cada vez que você se depara com o resultado desta pesquisa ou de outras semelhantes, considera os resultados errados porque os preços teriam subido muito mais que isso. Mas isso tem explicação.

Primeiro isso é fruto de um fenômeno chamado de memória seletiva. Nós tendemos a registrar mais e reter por mais tempo na memória aqueles preços que subiram, mas não prestamos muita atenção nos que caíram. Neste mês de junho a carne subiu 5,1% e tenho certeza que você percebeu. Mas o preço da batata caiu 30% e o da banana 29%. Será que você prestou atenção a isso?

O segundo fator é que cada indivíduo possui uma cesta muito particular de produtos que depende de suas preferências, da sua classe social, da sua idade e até da região da cidade em que você vive. Para um vegano, uma elevação no preço da carne passará despercebida, já para mim, o preço da rúcula tem importância nenhuma. Então, cada um tem seu próprio índice de inflação, que não é possível ser captada neste tipo de pesquisa.

Esta medida de inflação da cesta básica é mais próxima para as pessoas de mais baixa renda, pela forma com que ela é realizada. Não são consideradas marcas do produto e sim o preço mais baixo, e os produtos e quantidades considerados na cesta básica são unicamente aqueles capazes de sustentar um adulto pelo período de um mês.

O levantamento da UFTPR é feito nas 11 redes supermercadistas que atuam em Londrina, considerando unidades nos quatro pontos cardeais e mais o centro da cidade.

Bom, semana passada encerramos o primeiro semestre do ano. E qual foi o comportamento dos preços da cesta básica neste período? No primeiro dia do ano, esta cesta custou na média R$401,20 e seu preço oscilou entre um mínimo de R$ 384,19 no final de janeiro e um máximo de R$ 415,16 no final de maio.

Utilizando os cálculos para a inflação média do período, O salário mínimo perdeu no período 2,6% de seu poder de compra. Para saber mais sobre como é realizado este cálculo, acesse a página do Nupea – www.nupea.org e lá você encontrará os esclarecimentos de como se chega a este valor.

Um trabalhador que ganha salário mínimo precisou empregar em junho 38,2% de seu tempo de trabalho unicamente para comprar uma cesta básica e se ele tiver esposa e dois filhos pequenos precisará gastar R$ 1.197,78 para comprar os alimentos essenciais e o salário mínimo é hoje de R$ 1045,00.

Pensa nisso.

Te vejo na próxima coluna e até lá, se cuida.