05 de julho de 2021


05 de julho de 2021

Olá meus caros. O primeiro semestre de 2021 terminou com a cesta básica de alimentos em Londrina, calculado pelo NuPEA, com média de R$ 484,83, valor 20,7% maior que no mesmo período de 2020 quando a média ficou em R$ 401,65.

O dólar, por sua vez havia iniciado janeiro de 2020 cotado a R$ 4,05 enquanto em janeiro deste ano começou cotado a R$ 5,19, uma diferença de 28%. Parece claro a existência de uma relação direta entre câmbio e inflação, no entanto, pode não ser tão claro assim para todos como se dá essa transferência da variação da taxa de câmbio para os preços. Nesta coluna procuro esclarecer a forma com que o preço do dólar afeta o preço dos alimentos e de resto de toda a economia.

Três observações iniciais. Primeiro: a taxa de câmbio é o preço pago para comprar qualquer moeda que não seja o nosso Real. Muitas vezes deixamos de mencionar que estamos nos referindo a cotação do dólar quando falamos de câmbio, isso porque é o dólar a moeda utilizada no comercio internacional, mas câmbio pode se referir a qualquer moeda.   

Segundo, estamos falando sobre o câmbio nominal e não o câmbio real. Deixarei para uma próxima coluna um aprofundamento maior sobre este tema, mas é importante saber que a cotação do dólar, essa que aparece divulgada diariamente, é sempre sobre uma cotação nominal e não real.

Esta informação está atrelada a terceira observação. No Brasil já tivemos regimes cambiais de câmbio fixo e banda cambial, mas desde 1999 o país adota o regime de câmbio flutuante, o que significa dizer que o preço da moeda estrangeira oscila determinado por forças de mercado.

Então o que determina a taxa de câmbio (em outras palavras - o preço do dólar), é a quantidade de dólares que pessoas e instituições estão querendo reter para si (ou querendo comprar) e a quantidade de dólares que está disponível para aquisição.

Se existe instabilidade econômica, taxa de juros pouco compensatórias ou fluxo menor de dólares para o país a moeda tenderá a subir, e foi o que aconteceu ao longo desta pandemia, a economia perdeu vitalidade e pessoas e instituições procuraram segurança no dólar fazendo seu preço subir.

Por outro lado, a demanda mundial por commodities agrícolas e pecuárias (soja, milho, açúcar, café, carne) em que o Brasil é grande exportador, esteve em patamares elevados. O que é ótimo para nós, pois ao vendermos para fora, geramos empregos e renda.

Mas agora imagine que uma saca de soja esteja no mercado internacional sendo vendida a US$ 30. Se o dólar estiver cotado a R$4 o vendedor vai receber R$ 120 por esta saca, mas se o dólar estiver cotado a R$5, por esta mesma saca de soja ele receberá R$ 150, ou 25% mais. Quem produz não se importa se vende para a China ou para você, mas vai querer receber o mesmo.

Já para quem precisa importar, a situação é inversa. Ele precisará gastar 25% a mais para comprar seus insumos, o que o levará a ter que aumentar o preço do que produz para o consumidor final.

Então, a taxa de câmbio elevada provoca alta nos preços tanto pelo lado das exportações quanto pelo lado das importações. São os dois lados da mesma moeda, é ótimo estar com as exportações em alta, mas isso eleva a nossa inflação interna. Percebeu?

Mas a roda gira. A tendência agora é de queda no preço da moeda americana. Isso porque, com o aumento das exportações e a queda nas importações teremos grande oferta de dólares e menor procura por ele. Este é um movimento pendular normal, em economias com câmbio flutuante.

Some-se a isso a retomada do investimento estrangeiro, que injetou R$ 48 bilhões na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo com a compra de ações) no 1º semestre de 2021. Para comprar R$ 48 bilhões em ações o investidor estrangeiro precisa trocar dólares por reais. Significa que ele trouxe algo como 9 bilhões de dólares para cá. O resultado foi o melhor para o período já registrado no país. A título de comparação, em 2020, houve a retirada de R$ 31,8 bilhões, ou seja, uma fuga do país de algo como 6 bilhões de dólares, que foi o pior resultado da história.

Tudo isso me leva a crer na queda da taxa de câmbio e como consequência deve ajudar a  segurar os preços no mercado interno. E você, o que acha?

Pensa nisso, Nos vemos na próxima coluna e até lá, se cuida.