03 de maio de 2021


03 de maio de 2021

03-05-2021_-_ECONOMIA_PARA_TODOS

Olá meus caros.  A semana em que se comemora o dia do trabalho foi marcada por informações que traziam na chamada a elevação do emprego formal no Brasil, acompanhada de outra que apontava para ao aumento da taxa de desemprego no país.

No meio disso tudo, o governo aprovando medidas já adotadas anteriormente que flexibilizam as regras trabalhistas buscando incentivar o empregador a não desligar seus funcionários.

Para entender um pouco melhor esse panorama é preciso analisar cada uma destas informações para depois avaliar o que está acontecendo.   

Comecemos com o GAGED. O CAGED é o acrônimo de  Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, ligado ao Ministério da Economia, e se trata de um Registro Administrativo cujos dados têm sua origem a partir das declarações enviadas mensalmente pelas empresas informando qual foi a movimentação de empregados ao longo do mês.

O Relatório divulgado na última quarta-feira (28), referente a março, trouxe saldo positivo de empregos com carteira assinada. No Brasil foram 184.140 postos de trabalho enquanto o Paraná ocupou o 6º lugar entre as unidades da federação com melhores números  - saldo de 11.507 empregos.

As cinco maiores cidades da Região Metropolitana de Londrina apontaram um saldo positivo de 1.922 postos de trabalho com carteira assinada, e considerando unicamente a cidade de Londrina, o saldo foi positivo em 567 postos de trabalho, com destaque para a construção civil que foi responsável por 255 destes empregos.

Mas, na sexta-feira (30) o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulga seu Relatório que aponta que o trimestre dez/jan/fev o país contabilizou o segundo maior nível de desemprego da série histórica iniciada em 2012, 14,4% de desempregados, perdendo unicamente para o trimestre de julho a setembro de 2020, quando ficou em 14,6%.        

Pois é. São informações aparentemente contraditórias. Um relatório diz que criamos empregos outro diz que atingimos um recorde de desempregos. Embora possa parecer contraditório, além da cronologia e a metodologia de ambas serem diferentes, o que realmente está por traz destes números é que, embora criando empregos, eles são insuficientes para absorver o contingente de entrantes no mercado de trabalho.

Concomitante a tudo isso, na última quarta-feira (28), o governo publicou medida provisória que retoma o programa de cortes de salários e jornadas de trabalhadores pelo período de 120 dias. O objetivo, segundo o governo, é evitar o fechamento de vagas formais, com carteira assinada.

BEm é a sigla para Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e visa permitir que empresas possam diminuir a carga horária de um funcionário com proporcional corte de salário, e até de suspender seu contrato de trabalho, ambos por um período de até 4 meses.

A medida permite que, para evitar que o empregador demita um funcionário em razão da queda nas vendas ou na produção, corte sua  de jornada de trabalho que pode ser de 25%, 50% ou 70%. Assim, observa, temos uma demissão ‘parcial’, mas que não vai ser contabilizada nas estatísticas de desemprego.

Por outro lado, para compensar parte da perda da renda do trabalhador o governo pagará  25%, 50% ou 70% do seguro-desemprego, de acordo com o tamanho do corte de jornada. Se o contrato foi suspenso, o governo paga 100% do seguro-desemprego.

Esse programa já vigorou por oito meses em 2020 e segundo o Ministério da Economia, a medida conseguiu preservar mais de 12 milhões de empregos com carteira assinada.

Trata-se de uma medida emergencial com dois objetivos bem distintos: a) criar alternativas para as empresas manterem seus funcionários e b) encobrir em parte, a real quantidade do desemprego que nos aflige. Se é legítimo ou não, faça você a leitura.  


Pensa nisso.

Te vejo na próxima coluna e até lá, se cuida.