22 de março de 2021


É a primeira vez que utilizo este espaço para comentar sobre aumento da taxa SELIC, embora os juros básicos da economia sejam assunto recorrente na mídia e nesta coluna.

Isto porque, a última vez que o Banco Central, definiu pela necessidade de aumentar os juros já se vão 5 anos e meio (07/2015), quando o COPOM a elevou de 13,75% para 14,25% ao ano.

Ao longo deste período foram 20 decisões de redução que a conduziram ao menor patamar de nossa história - 2% ao ano. Na última quarta-feira (17)a decisão foi por elevá-la em 0,75% para 2,75% ao ano. Merece nossas considerações.

 

A Taxa SELIC ...

Acrônimo de Sistema Especial de Liquidação e Custódia a SELIC é a taxa de juros que incide sobre operações diárias entre os bancos e serve como referência para todas as demais taxas de juros.

... é referência para as demais taxas.

Portanto, uma elevação na taxa SELIC significa elevação em todas as taxas de juros praticados em financiamentos na economia.

A inflação ...

A inflação é o aumento dos preços de bens e serviços, o que implica na perda do poder de compra tanto para nós consumidores quanto para as empresas que precisam comprar insumos para produzir.

... e os prejuízos que causa ...

Se antes você podia comprar 10 e agora só pode comprar 8 porque os preços subiram, quem produz também terá que ajustar sua produção e o fará comprando menos insumos e demitindo funcionários.

... em um ciclo vicioso.

Menos empregos, menos renda. Menos renda significa menos produção, que provoca mais desemprego. Esse processo se retroalimenta e ganha velocidade e intensidade, levando ao colapso da economia.

Entender sua origem ...

A causa da inflação é um descompasso entre a quantidade de produtos que indivíduos e empresas querem adquirir e a quantidade disponível para compra - muita gente querendo comprar e não tem produção na mesma intensidade.

... para buscar a solução adequada ...

Não adianta pensar em aumentar a produção para corrigir este descompasso, porque para produzir é preciso primeiro comprar e entre comprar e produzir há um tempo, ou seja, há um aumento na demanda  sem que tenha ainda ocorrido aumento na oferta. Consequência - mais inflação.

... que é recessiva por excelência. 

Então é preciso conter o consumo para controlar a elevação nos preços. É obvio que isso implica em reduzir a atividade econômica e a forma de fazer essa redução é pelo aumento nos juros.

Funciona assim ...

Um aumento nos juros tira o estímulo de consumidores e empresas a comprarem. Os primeiros compram para consumir; enquanto as empresas compram para produzir. Diminuindo suas compras os preços deixam de ser pressionados e param de subir, controlando a inflação.

..., mas não parece sensato...

Tomar a decisão de aumentar os juros em plena pandemia, com desemprego recorde e depois de um ano em que nosso PIB caiu 4,1% parece um contrassenso.

... e leva a perguntar.

Então o que é pior? Ter juros altos e frear a economia ou conviver com a inflação?

Resposta.

Com dizia o saudoso Joelmir Beting: todo avião que sobe, uma hora desce. Resta saber como.

Com juros altos é uma queda controlada e dá as condições para futura decolagem. Com inflação é queda livre e o desastre iminente.


Dr. Marcos J. G. Rambalducci, Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.