14 de setembro de 2020


Segundo dados do IBGE divulgados na última quarta-feira (9), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - principal indicador da inflação no país - subiu 0,24% em agosto. No ano, o indicador acumula alta de 0,70% e, em 12 meses, de 2,44%.

Mas o consumidor que vai ao supermercado não concorda  e não acredita nestes indicadores. Qual a explicação para tanta discrepância na percepção da inflação entre os consumidores e os índices oficiais?  

Quem faz, ... 

O IPCA é calculado mês a mês, por meio de pesquisa de preços realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em estabelecimentos comerciais, domicílios, com prestadores de serviços e concessionárias de serviços públicos.

... onde faz ...

A pesquisa é realizada com famílias de renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos, que residem nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além do Distrito Federal e da cidade de Goiânia.

.... e o que considera.

São levantadas as variações de preços de 465 itens em 9 categorias: Alimentação e bebidas; Artigos de residência; Transportes; Comunicação; Despesas pessoais; Habitação; Saúde e cuidados pessoais; Vestuário e Educação.

Começa por aí ...

Como vivemos fora das regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, a variação de preços que observamos simplesmente não entra no radar da pesquisa do IBGE.

... e a inflação é particular ...

Cada família tem uma cesta de consumos que é única. Quem tem um bebê, gastará mais com fraldas e papinhas, quem tem adolescentes gastará mais com roupas e educação, e por aí afora.

... e depende da renda.

Suponha duas famílias em que ambas gastam o mesmo com alimentação, por exemplo R$ 500. Para quem ganha R$ 2.000 isso significa 25% de sua renda. Já para quem ganha R$ 10.000 será apenas 5%. Um aumento nos alimentos impactará muito mais a renda de quem ganha menos.

E há um componente psicológico.

As pessoas tendem a registrar mais e reter por mais tempo na memória os preços que subiram, mas não prestam muita atenção nos que caíram. Lembra que não faz muito, o feijão estava a R$ 14.00 e o tomate a R$ 9,00?

A realidade ...

Independente da sua característica de consumo, o fato é que os alimentos que compõe a cesta básica em Londrina apresentaram alta de 10% entre janeiro e agosto, sendo que o leite é o recordista de aumento com 50,7%, seguido pelo óleo de soja com 36,7% e o arroz com 33% de aumento.  

... e as estatísticas.

A estatística é a ciência que mostra que, se eu comi 2 hambúrgueres e você nenhum, na média, comemos um cada um. Portanto você não pode estar com fome. 


Dr. Marcos J. G. Rambalducci, Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.