11 de maio de 2020


A economista Esther Dweck, em artigo publicado no Jornal Eletrônico Nexo (04), faz comentários ácidos ao que ela intitula de ‘desmonte neoliberal do país’. Chamo a atenção ao termo ‘neoliberal’ proferido como algo cuja origem deve ser de algum pacto com o demônio e utilizado de forma pejorativa, mas sem que a maioria saiba o que realmente significa. Inicio com um dos conceitos que o balizam: o liberalismo.

O liberalismo como doutrina econômica...

O liberalismo foi uma doutrina econômica e política que surgiu no século XVIII e consolidou-se no século XIX, sendo John Locke (1632-1704), filósofo inglês considerado o pai do Liberalismo, enquanto seu mais importante teórico foi escocês Adam Smith (1723-1790), considerado o pai da economia moderna.

... prega intervenção mínima do Estado.

Sua base ideológica consiste na organização da economia em linhas individualistas, rejeitando intervencionismo estatal. A maioria das decisões econômicas devem ser tomadas pelas empresas e indivíduos cabendo ao Estado a manutenção da ordem, a preservação da paz e a proteção à propriedade.

Mas com a crise de 1929... 

A grande depressão dos anos 1930, provocada por um lado, pela superprodução nos EUA e por outro, pela  queda da demanda por parte da Europa por produtos americanos, pois estava recuperando sua capacidade produtiva pós 1ª Guerra, trouxe um encalhe das mercadorias.

... e a quebra da bolsa de valores...

Sem conseguir desovar sua produção, os preços caem, os lucros despencam, a indústria americana começa a demitir em massa diminuindo mais ainda a capacidade de consumo e paralisando o comércio, as ações das empresas desabam levando à quebra da Bolsa.

... mostra a necessidade de intervenção.

Ficou claro que o mercado, deixado por si, seria incapaz de fazer retornar o crescimento, pelo menos na velocidade que precisava. Daí que o economista inglês John Maynard Keynes percebe que somente com a intervenção do Estado, criando demanda, é que tornaria possível reativar a economia.

Atuando para gerar demanda...

Esta intervenção estatal ocorreria dentro dos parâmetros do mercado livre capitalista, por meio de investimento público financiado pelo endividamento do Estado, mas sem que ocorressem aumentos permanente da despesa correntes, portanto, de caráter transitório.

... e garantindo o bem-estar social.

Embora considerasse a necessidade de não criar despesas correntes permanentes, caberia ao Estado oferecer benefícios sociais aos trabalhadores, como: seguro saúde, seguro desemprego, salário mínimo, levando ao surgimento do conceito de bem-estar social.

Nem tudo são flores e ...

O problema foi que o intervencionismo estatal, em vez de cumprir seu papel de agente de estímulo em momentos de crise e deixar que os fundamentos de mercado prosperassem, acabou se instalando como política definitiva passando a ser vista como excessiva e inaceitável.

... quando aparecem suas fragilidades ...

Isso porque, à despeito das boas intenções iniciais, quando a intervenção se exacerba, leva a um regime de produção estatizada, onde a gestão destas empresas passa a atender  interesses políticos, se tornam ineficientes, deficitárias, servindo de cabide de empregos e dando margem à corrupção. 

 ... gera uma reação.

Quando um modelo se exaure, ocorre a necessidade de se pensar em outras formas de condução da política econômica. Esta resposta, boa ou ruim, veio por meio de uma doutrina que se propõe a uma alternativa entre o intervencionismo e o liberalismo.

(...continua com a parte 2) 

 Marcos J. G. Rambalducci - Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.