09 de março de 2020


Retomo a coluna depois de 3 meses fora. Neste período que estive na Itália, presenciei o impacto econômico que o COVIT-19 está causando naquele país e que pode levar à derrocada a economia mundial em 2020.   

Pegou pesado ...

Desconsiderando a Ásia, a Itália é hoje o local mais atingido pelo vírus. No momento que escrevo, são 4.636 casos confirmados com 197 mortos e 523 recuperados.

... justamente onde o PIB é maior.

O norte da Itália, parte mais dinâmica de sua economia, responsável por 1/3 do PIB e 40% das exportações do país, é a área mais afetada, em especial as regiões da Lombardia, Vêneto e Emilia Romagna.

Em quarentena.

Na agora denominada  zona vermelha, onde surgir o primeiro caso, em Codogno,  a 90 km de Milão, encontra-se isolada na tentativa de conter a disseminação do vírus.

Impacto na indústria...

Nesta área, várias indústrias estão paralisadas tanto para evitar aglomeração de pessoas, quanto pela simples falta de matéria prima, que não tem como chegar até a produção. 

.. e em serviços... 

O turismo na Itália representa 13% do PIB e estimativas apontam para uma queda de 60% no número de visitantes. Museus, teatros, e praças esportivas, estão fechados,  e partidas de futebol do campeonato italiano estão sendo adiados.

... atingindo em quem já sofria.

Veneza, que tenta se recuperar após pior inundação em mais de 50 anos, teve que cancelar os últimos dois dias de carnaval e seus famosos bailes de máscara, que atraem milhares de turistas.

Minimizando o prejuízo...

Em uma tentativa de socorro às regiões mais afetadas, o governo adiou a cobrança dos impostos e pagamento de hipotecas. Empresas com perdas acima de 25% receberão créditos tributários.

... mas com consequências.

Nesta semana foi anunciada injeção de 7,5 bi de euros como forma de estímulo à economia, o que vai aumentar seu endividamento, que supera 135% do Produto Interno Bruto (PIB) italiano, o segundo maior índice entre os países da zona do euro, atrás apenas da Grécia.

Sem ilusões.

Em resumo, a economia italiana vai passar maus bocados este ano, e não será diferente para o resto do mundo. Coloca a gente nesta lista.

Marcos J. G. Rambalducci - Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.