07 de dezembro de 2020


Dados Divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), na semana passada dão conta que a economia brasileira cresceu 7,7% no terceiro trimestre de 2020, mas ainda insuficiente para compensar a queda dos dois primeiros trimestres do ano. 

A relação entre PIB e emprego é direta – a produção se faz com trabalhadores, maior PIB mais emprego; mais emprego maior consumo; mais consumo estimula as empresas a aumentar a produção. Este é o ciclo virtuoso da economia. O problema é que aguardamos este ciclo virtuoso a mais de cinco anos.

O país retrocedeu ... 

Se a atividade econômica brasileira ainda não conseguiu assimilar as perdas do ano, está mais longe ainda de retomar o patamar de antes da crise que começou no segundo trimestre de 2014, cuja perda é de 7,3% do PIB no acumulado deste período.

... e Londrina também.

Nossa cidade não está descolada da situação do país. Tome como parâmetro o número de empregos formais na cidade, cujo pico em abril de 2015 contava 163.223 trabalhadores e ao final de outubro de 2020 eram 145.977.

Atualizando as perdas...

Mas observe que, além do número absoluto de 17.246 postos de trabalho formal extintos, é preciso observar que a população cresceu 5% no período, ou seja, usando a mesma proporção de pessoas empregadas em abril de 2015 que era de 29,8% da população, o prejuízo é de 25.465 empregos formais.

... para entender o desafio...

Considerando então que a população cresce a uma taxa de 1% ao ano, para entrarmos em 2031 com a mesma proporção de trabalhadores com carteira assinada que tínhamos em abril de 2015 seria necessário criar uma média de 4.531 empregos todos os anos durante os próximos 10 anos.

... e quanto custa ...

Uma maneira aproximada de saber o quanto custa gerar um novo emprego é dividir o total que uma empresa vai investir e quanto de empregos diretos e indiretos pretende criar. Mesmo considerando que o número de empregos gerados, especialmente os indiretos é superestimado e não necessariamente criados na cidade, é possível ter uma estimativa.   

... um novo posto de trabalho. 

Fazendo essas contas, o investimento médio é de R$ 300 mil para a criação de um novo emprego com carteira assinada (algumas literaturas apontam que este valor pode ser 3 vezes maior), o que significa ter que investir R$ 1,3 bilhão a cada ano para gerar os 4.531 empregos de que precisamos.

Comparando com investimentos atuais ... 

Para uma melhor dimensão do que isso significa a J. Macedo anunciou investimentos de R$ 500 milhões em Londrina, a Gelprime R$ 300 milhões em Ibiporã, a BRF investiu R$ 80 milhões em seu novo centro de distribuição na Saul Elkind. São investimentos projetados para 3 ou 4 anos, o que dá uma média otimista de R$ 300 milhões ao ano. Fica faltando R$ 1 bi.

... e com os gerados pelo CILON

O novo Polo Industrial de Londrina traz a promessa de criação de 12.000 empregos entre diretos e indiretos. Supondo que o parque esteja totalmente ocupado nos próximos 10 anos, significará um pouco mais de ¼ dos empregos de que precisamos. Bom, mas obvio, insuficiente.

Esse é o tamanho.

Mesmo que sejam utilizados dados mais otimistas, o fato é que o futuro é desafiador e temos que ter uma noção de sua dimensão para podermos traçar as estratégias necessárias para sairmos vencedores.

Estas projeções são considerando que o que tínhamos em 2015 seja suficientemente bom. Senão a tarefa é um pouco maior.


Dr. Marcos J. G. Rambalducci, Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.